Pai, por que o céu é azul?

Me lembro do dia que perguntei isso para o meu pai. Ele era uma pessoa incrivelmente informada. Embora nunca tenha conseguido completar o ensino básico, não havia quase nada nesse mundo que ele não soubesse algo sobre. Como um “super-herói-super-sábio”. Eu tinha uns sete anos quando interroguei ele sobre a cor do céu, geralmente fazia perguntas quando ele estava trabalhando em sua “oficina”.

Ele deu um risinho, como que se esperasse pelo  momento há um certo tempo, e disse: – ora minha filha, a pergunta é simples mas a resposta não. Vai ter que entender outras coisas primeiro, como por exemplo, como se dá fisicamente o processo de enxergar as cores. Se quiser, depois do jornal eu explico.

Claro que quis. E daí em diante o mundo nunca mais foi o mesmo. Meu pai vez em quando criava umas experiências divertidas onde eu podia saciar a curiosidade sobre o que acontecia no mundo. Prismas, imãns, ouro derretendo, fogo, ácido, água… Eu costumava ficar na oficina onde ele trabalhava as vezes por quase uma hora – enquanto eu não perturbasse o suficiente para ser enxotada de lá. Meu pai era ourives. Eu por muito tempo queria crescer e ser também ourives (rsrsrs).

Para quem quiser saber o por quê do céu ser azul, sugiro o seguinte link: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-o-ceu-eazul

De forma mais simples o meu pai me falou das teorias da luz, dos cumprimentos de onda e dos átomos e moléculas existentes no ar. Certo dia acordei mais cedo (não sei a explicação mas por uma longa fase na minha infância, aos domingos eu acordava as seis da manhã e vagava pela casa procurando o que fazer). Morávamos numa casa de telha, quem já morou numa sabe que as vezes, as telhas fastam deixando brechas por onde o sol passa e se transforma em pequenos círculos luminosos pelas paredes e chão. Quando menos percebo, vem meu pai com uma bacia cheia d´água e põe entre o chão e o círculo de sol. – Quer ver como se faz um arco-íris? ele falou. Meus olhos brilharam. – Claro que sim! Falei em um salto. Ele pegou um espelhinho e pôs embaixo da água. Fazendo um ângulo de uns 45 graus, apontou o reflexo da luz na parede. Lá estava ele, o arco-íris. Nunca esqueço o sorriso do meu pai, do som que fazia quando  ele dava gargalhadas. Da presença dele.

Graças ao ócio que passamos juntos na chuva que é essa vida, o mundo sempre pôde ser incrível.

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