Ready Made

Concatenar é a palavra chave para o mundo das idéias. Unir boas idéias e adaptá-las para a perfeição de um produto real e único, é por vezes tão louvável quanto a idéia por si.

Como um hiperlink, fractal ou uma instância de realidade paralela, idéias acontecem e se completam num fluxo contínuo, fazendo surgir sempre o ‘novo’, que nada mais é do que o velho apresentado sob uma nova perspectiva. No fim, não há nada de novo debaixo desse sol e nem isso é novo.Imagem

Ready-made é o nome que marca a característica principal do autor desta obra, Marcel Duchamp. A idéia, que permeia boa parte do seu trabalho, é retirar objetos de seus locais e funções de origem e convertê-los em peças artísticas, gerando conflito e questionamento diante do real significado da arte. Discutir arte é quase discutir sexo dos anjos mas a atitude de Duchamp foi pioneira no mundo das artes visuais. Inquetação e crítica. Anti-arte. Dadaísmo.

A idéia que permeia a obra se torna o centro. A confusão dos sentidos, a quebra de paradigmas, a descontinuidade e o conflito passam a gerar no espectador o que se torna essência da arte para quem a produz. Eis a problemática do “ineditismo”, concordando com Lavoisier, na arte – como na natureza, nada se cria, tudo se transforma (para não dizer “tudo se copia”). O que define a originalidade é a concatenação de idéias (em sinapses) de quem cria ou o desmembramento e reestruturação de uma parte do todo, ou do todo.

Tem ainda um aspecto importante no mundo das idéias e da geração da arte. Como a ciência, a arte só é produzida a medida que o homem domina ferramentas ou ultrapassa limiares do que percebe do mundo. A medida que a tecnologia avança é permitido ao homem dar um passo a mais em direção a outro nível quântico de percepção.

Não estou defendendo ou justificando a mediocridade do plágio. Mas acho que é preciso desmistificar ou dessacralizar a idéia purista de que só é bom o inédito, até porque num mundo de simulacros – com o perdão da palavra – inédito “meu ovo”.

A imagem que usei no post, by the way, é a “Bicycle Wheel” de Duchamp, 1913.

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2 pensamentos sobre “Ready Made

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