Sobre aquele velhinho…

Então é isso. Papai Noel não existe. Sempre foi assim desde que me lembro. Hoje me dou conta de que ele existe sim. Como imagem de algo que não é, ainda assim todos os anos ele está ali e alimenta a fantasia de um monte de gente (nem sempre crianças).

Existe. Deprime admitir que, por mais que lutemos para afirmar aos nossos filhos (numa tentativa vã de sabotar o mito) sobre sua não existência no mundo físico, ele acaba ocupando um mundo imaginado, co-existindo comigo por exemplo a cada final de ano. Daquele verde e amarelo que repetem todos os anos na marquise do supermercado ao dos filmes hollywoodianos… acabei por começar a achar, no decorrer dos anos, o tal Noel uma figura até tanto pavorosa mas confesso que não dei muita trela, pra não acabar como aquelas pessoas que chegam a vida adulta sem resolver a fobia por palhaços. No fim das contas quando em forma de desenho ele é simpático, mas se é um velho vestido com enchimento, que fica sentado no shopping pegando criança no colo e tirando foto, me dá calafrios.

Isso tudo para contar que um dia, numa manhã do dia 25/12, não lembro ao certo que ano mas creio que em 1989, eu acordei e precisei coçar os olhos para ter certeza de que eu realmente havia acordado. Estava ali, pendurada numa corda, dando voltas graciosas, uma bicicleta novinha com a qual eu tanto sonhara por dias e dias durante todo o ano. Era vermelha com cestinha e flores brancas e amarelas. Nunca vou esquecer. Pena que naquela época não existiam formas tão fáceis de captar imagens como hoje. Não tinha ninguém filmando minha reação ao acordar e ver aquilo diante da porta do quarto. Foi o natal mais incrível que já tive. Na cestinha estava um bilhete… ahh como queria tê-lo ainda hoje mas o tempo levou… o bilhete dizia algo do tipo “não foi Papai Noel mas foi seu Papai”.

Sim, ele, meu pai. O mesmo que tirou todos os panos da vida, o mesmo que me contou aos 12 que existiam partículas miúdas que faziam o mundo da matéria, que me mostrou a ciência, que me desmistificou as religiões e os fatos inexplicáveis e que me guiou e me guia por toda a vida. Ele foi sempre o Papai que não era Noel mas que trabalhava todos os dias para garantir que nós (família) tivéssemos um futuro interessante.

Por causa dele nunca senti falta de um Noel de mentirinha, nem de ilusões para tornar a vida mais suportável. Mas dele sinto muita falta, todos os dias.

Para meu Papai que nunca quis ser Noel.

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